Zine Zero # 0

Um fanzine com textos de Ignácio de Loyola Brandão adaptados para os quadrinhos.

Trabalhos de Alexandre Nascimento, Angelo Davanço, Arnaldo Jr., Arnaldo Neto, Cordeiro de Sá Denis Pimentão, Gustavo Falcão, João Francisco Aguiar, Vinil e Vitor Pandão.

Lançamento dia 22 de maio de 2018,
na Feira Nacional do Livro
Ribeirão Preto/SP

 

Leia o zine abaixo:

Boca de Porco # 3

FANZINE: Boca de Porco
EDIÇÃO: 3
MÊS E ANO: Dezembro de 1991
EDIÇÃO: Arnaldo, Jabá e Alexandre
PÁGINAS: 50
FORMATO: ¼ de ofício, grampeado
TEMÁTICA: Histórias em quadrinhos, poesia, fanzines
RESENHA: O número 3 do fanzine Boca de Porco tem, além de material produzido pelos editores, colaborações de Camilo, Lelo, Serguei, Mário, Maurício, Valdir Ramos, Betinho, Feliph, Edvar e Paulo Jasiel, com poemas e histórias em quadrinhos diversos. Tem texto pirateado do Barão de Itararé e uma página para divulgação de outros fanzines. A capa é vermelha e o miolo é composto por papel verde claro, com “folha de rosto” destacável em papel de seda. Tem apoio cultural do bar Vernissage, da Loca Livros locadora e da Central de Fax e Xerox.

Nossa capa, por Ultraviolet

A capa do {ofizine} de setembro de 2017 é uma criação da artista gráfica Jeane Vitória. Ultraviolet, como ela assina seus trabalhos, é adepta da Glitch Art, uma prática artística que trata sobre o fazer as coisas da maneira errada, de rejeitar as regras e maneiras corretas de fazê-las, em nome da experimentação. “Tenho infinitas possibilidades dentro do meu processo de criação”, declara a artista.

A primeira exposição de seu trabalho aconteceu no início do ano, quando foi selecionada para a Mostra de Arte da Juventude do Sesc Ribeirão Preto. Atualmente, suas artes estão em exposição na casa A Egrégora, quinzenalmente, aos domingos, e em mostras digitais, como a Homeostasis Lab.

Para a capa do {ofizine}, Ultraviolet escolheu o trabalho “O Pensador”. “Esta foi uma das minhas primeiras artes envolvendo colagem e glitch. Quis passar a ideia da singularidade e da tranquilidade mesmo num ambiente em ruímas”, explica.

Com um trabalho que tem tudo a ver com o mundo dos fanzines, Ultraviolet tem planos: “Estive pensando em alguma forma de montar um exemplar com algumas colagens. Tenho interesse em publicar, só não sei ainda como!”

E então, fanzineiros, que tal ajudarmos a Ultraviolet a publicar o seu zine? Para conhecer mais do seu trabalho, visite suas páginas no Facebook, no Instagram e no Ello.

Ofizine # 1

FANZINE: Ofizine
EDIÇÃO: 1
MÊS E ANO: Outubro de 1994
EDIÇÃO: Vários
PÁGINAS: 28
FORMATO: Meio ofício
TEMÁTICA: Histórias em quadrinhos, crônicas, música, RPG
RESENHA: O Ofizine é resultado da primeira oficina Faça Zine, coordenada pelos editores do fanzine A Falecida, Angelo Davanço e José Luís Gomes, na Oficina Cultural Cândido Portinari, em Ribeirão Preto/SP, nos meses de setembro e outubro de 1994. Esta edição conta com os trabalhos de sete participantes da oficina, Rodrigo, Gustavo Maniezi, Gustavo de Andrade, Ton, Pecê, Henrique e Gina, com HQs, textos sobre RPG, música, uma entrevista com a banda ribeirão-pretana de funk metal Monroe e crônicas. No texto de apresentação, os produtores anunciam a criação de um “Núcleo de produção de fanzines”, com encontros semanais, aos sábados, na própria Oficina Cândido Portinari. Traz patrocínio do Grêmio Estudantil Machado de Assis, loja Combat Rock, bar Mondo Bizarro, loja Street Rock Shop, Chikus Etiquetas e loja Rarydadys.

‘A magia dos zines está na troca de energia’

Se você ouvir o nome Elaine Cristina Silva não vai reconhecer de primeira, certo? E se ouvir algo sobre a ‘Dona Fanzine’? Aí, com certeza, você irá ligar o nome à pessoa. Mas afinal, como será que a Elaine Cristina virou Thina Curtis? “O apelido Tina surgiu com uns 11, 12 anos, por causa da personagem do Mauricio de Souza. Eu era muito alta, uma das maiores da turma, nerd, roupas diferentes, e também foi uma forma de diferenciar, porque tínhamos um grupo com várias amigas com o mesmo nome. Depois acabei acrescentando o Curtis quando assinava meus poemas, devido a minha paixão pelo Ian Curtis. Coisa de adolescente, só que pegou e aí, cá estou até hoje.”

Thina nasceu em Santo André, em 1975, e até hoje vive na cidade do ABC Paulista, onde atua como professora e, mais que isso, construiu um dos nomes mais significativos do fanzine nacional. Na entrevista a seguir, concedida a Angelo Davanço pelo Facebook, ela conta um pouco de sua trajetória, fala sobre seus fanzines, oficinas e eventos. Confira:

Como o fanzine surgiu em sua vida?
Por acaso, eu fazia e nem sabia que tinha nome, fui saber um tempo depois, que uns amigos me mostraram, me encantei e de lá para cá nunca mais parei, sempre estou envolvida com algo relacionado aos fanzines.

Quais os títulos que você jáeditou?
Olha, eu já perdi as contas, vou citar os mais recentes e conhecidos:  “Spell Work”, que já vai para 17 anos, “Sacred”, “Violet Arcana”, “Substance”, “Closer”, “Unknown Pleasures”, “Poesias em Quadrinhos”, e o “Café Ilustrado”, que foi premiado como melhor Fanzine no Troféu Angelo Agostini de 2017.

Como surgiu o ‘Café Ilustrado’? O que ele traz?
Há tempos queria fazer algo relacionado ao café, que é uma das minhas paixões, e também faz parte da minha história, meus avós eram trabalhadores rurais, tios, primos e meu pai também antes de vir morar em Santo André. Acabou sendo uma homenagem aos meus familiares e minhas lembranças e também uma forma de expressar a poesia cotidiana que passa batida no dia a dia, e o café acaba sempre nos fazendo companhia. Fabi Menassi ilustrou, ela que já é uma grande parceira de vários trabalhos em HQ, e ficou algo com a nossa cara, já que também muita coisa nos poemas foi conversada nos términos de nossas atividades na escola, onde tínhamos um projeto de arte educação.

E a premiação no Angelo Agostini, como foi?
Foi e ainda é uma surpresa para mim e para Fabi. É muito gratificante ver seu trabalho receber uma premiação, ainda mais com tanta importância. E para nós ainda foi bem maior a satisfação por duas mulheres ganharem o prêmio. Foi bacana porque muita gente não conhecia nossos projetos, não só com fanzines, temos várias atividades de arte educação. Em seguida também fomos contempladas pela terceira vez no Salão Internacional do Humor de Piracicaba, na Mostra Batom, Lápis & TPM, então foi um início de ano com muitas alegrias, mas acredito que estamos colhendo os frutos que plantamos também.

E a Fanzinada, como e quando surgiu?
Fanzinada surgiu em 2011, para celebrar no Brasil, pela primeira vez, o Dia Internacional do Fanzine. Eu sempre encontrava fanzineiros nos happy hours da Galeria do Vinil, onde andávamos nos encontrando na Combat Rock, mas sentia a necessidade de um encontro onde as pessoas pudessem conversar, trocar ideias e lançar publicações. É um evento para celebrar os fanzines. Uma ação simbólica pela preservação da memória dos zines no Brasil. É não deixar a história dos fanzines morrer, um resgate cultural da arte impressa.

Como são as oficinas que você coordena?
As oficinas geralmente acontecem nas periferias, onde a maioria não tem acesso a arte e cultura, embora tenham a arte e a cultura dentro de si. As oficinas dependem muito do público, algumas são direcionadas a jovens, outras ao público infantil, à terceira idade, outras são temáticas, também dentro de escolas, projetos culturais alternativos, ONGs. Depende muito da demanda, a ideia é fazer uma provocação e estimular a criatividade. É você entender que pode criar, publicar, ter suas próprias ideias. Trabalho muito com poesias, colagens, fotografias e temas como o feminismo, gênero e direitos humanos. Nas escolas geralmente associamos a algum tema e o bacana que a forma que se aborda os assuntos no fanzine é diferente da escola, você tem liberdade e isso faz a diferença. Recentemente ministrei oficinas em um posto de saúde aqui onde moro, com um grupo da terceira idade, e foi muito legal, um dos temas era a depressão e a sexualidade na terceira idade. Elas adoraram e até reclamaram de só terem aulas de artesanato, que queriam mais atividades assim!

Como é fazer fanzine em tempos de internet?
Olha, para mim não mudou muito, eu continuo fazendo as coisas bem simples, quase artesanalmente, a diferença é que hoje você consegue divulgar muito, trocar ideias com as pessoas, tudo de uma forma muito veloz. O legal é que você fica sabendo de tudo que está acontecendo, quem está produzindo, dos eventos, encontros e tudo que se relaciona aos zines e publicações. Continuo trocando fanzines em eventos e por carta, acho que a magia dos zines está justamente aí, nessa troca de energia, de contato real. Muitas pessoas acabam me procurando nas redes sociais para pesquisa sobre fanzines, matérias e isso é gratificante também.

Está trabalhando em novos projetos?
Estou ministrando algumas oficinas, escrevendo alguns poemas, fazendo algumas parcerias novas. Participo do coletivo de quadrinhos Chroma e faço Ação Social e oficinas de fanzines e empoderamento feminino através de HQs com as Minas Nerds. Também sou do Coletivo Rock ABC. Em maio celebramos os seis anos da Fanzinada, enfim, estou produzindo, editando zines, trabalhando, cuidando dos filhos, do marido, da casa, do cachorro, das plantas (risos).

Fotos: Arquivo pessoal

Nossa capa, por Josi

A capa do {ofizine} de julho/agosto de 2017 é um trabalho da quadrinista e fanzineira ribeirão-pretana Josiane O. M. Hierikim, a Josi, 31 anos. Seu primeiro personagem é o Castro, o castor, criado em 2010. Com o passar do tempo, outros dois personagens passaram a fazer parte das curtas histórias do castorzinho: Paolo, o polvo; e Dumont, a Tartaruga.

Outro trabalho paralelo são as tiras dedicadas ao Jesus com Frizz, que contam a história do todo poderoso com bem menos glamour e sofrimento do que ouvimos na igreja ou lemos na bíblia. “O Jesus dos quadrinhos é um cara perdido, que não sabe como dar um jeito no mundo. Na verdade, ele nem acha que isso ainda é sua obrigação. E, para piorar, ainda sofre com frizz em seus cabelos”, explica Josi.

E das tiras para os fanzines foi um pulo. “Os zines surgiram com a necessidade de levar o material para eventos e festivais dedicados aos quadrinhos”, explica a ilustradora. O primeiro zine foi publicado em 2015, para exposição no FIQ! Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte. Até hoje foram publicados três zines do Castro e em um deles é possível conferir algumas aparições do Jesus com Frizz. E vem mais por aí. “Um novo zine deve surgir a qualquer momento, compilando as novas tiras do castor, publicadas apenas na internet.

Na ilustração da capa que criou para o {ofizine}, a Josi trabalhou como sempre faz com seus personagens. “Esta capa representa o que de fato é o zine do Castro, o castor, uma publicação independente, que não gera nenhum tipo de lucro financeiro, porém feita com muita dedicação. A ilustração foi feita de forma bem simples e tem como principal recurso tecnológico o balde de tinta do Photoshop. O restante ficou por conta de uma folha de rascunho e uma caneta quase sem ponta de nanquim descartável. Mas a riqueza do desenho, essa não pode ser expressa por palavras. É um desenho feito de coração para todo mundo que curte tiras em quadrinhos”, diz.

Para conhecer mais do trabalho desenvolvido pela Josi, basta acessar as páginas do Castro, o castor e do Jesus com Frizz no Facebook.

Nossa capa, por Fer Merelles

A capa do {ofizine} em maio de 2017 é um trabalho da pedagoga, fanzineira e colagista Fer Merelles, 31 anos, nascida em Guaíba, no Rio Grande do Sul. Editora do Chasing Mark, Fer conta como os zines surgiram em sua vida – “foi durante a adolescência, tive uma forte identificação com o movimento punk e os fanzines eram a melhor forma de se informar sobre bandas e cultura underground.”

Na hora de fazer suas colagens, o trabalho ocorre de diversas maneiras. “Alguns trabalhos partem de um tema e então pesquiso as imagens que vão compor a colagem, outros, brinco com aquilo que encontro ao acaso, ou faço uma mistura de pesquisa com imagens do meu arquivo, tudo depende da proposta, da ideia ou da ocasião”, diz Fer Merelles, que explica a capa feita para o {ofizine}: “Tentei transmitir nessa colagem a leveza e liberdade que os fanzines proporcionam, utilizei imagens femininas para ilustrar a participação das mulheres em todos os espaços que desejarem. Não tenho muita habilidade com as palavras, acho que por isso escolhi as imagens para me expressar, dificilmente consigo falar sobre uma colagem e a ideia de existirem diversas interpretações sobre meu trabalho me agrada muito, é como se cada um pudesse encontrar nele aquilo que traz em seu olhar.”

Para conhecer mais do trabalho da Fer Merelles, basta acessar a página do Chasing Mark no Facebook.

A Falecida # 1

FANZINE: A Falecida
EDIÇÃO: 1
MÊS E ANO: Agosto de 1991
EDIÇÃO: Angelo Davanço, José Luís Gomes e Milton Bilar Montero
PÁGINAS: 28
FORMATO: Meio ofício
TEMÁTICA: Histórias em quadrinhos, literatura, música, teatro, entrevistas, fotografia
RESENHA: O fanzine A Falecida número 1 tem material produzido pelos editores, além de colaborações de Arnaldo Júnior (HQ) e César Mulatti (fotografia). A capa é do artista plástico Luís Carlos Falcão. Traz texto sobre o ator de teatro Gilberto Davanço e sua encenação do monólogo “As Mãos de Eurídice”, trechos de textos da cantora e poeta Patti Smith, texto sobre Mangás, entrevista com o grupo de rock Ira!, história em quadrinhos sobre Raul Seixas, fotografia e uma HQ pirateada de Gilbert Shelton.

Zorra! # 5

FANZINE: Zorra!
EDIÇÃO: 5
MÊS E ANO: Agosto de 1990
EDIÇÃO: Paulo Priess e Rafael da Silveira
PÁGINAS: 40
FORMATO: Meio ofício
TEMÁTICA: Histórias em quadrinhos, entrevistas, contos
RESENHA: A quinta edição do fanzine Zorra! tem como tema central os monstros, figuras sempre marcantes da literatura e das histórias em quadrinhos. O fanzine, editado de forma compartilhada por Paulo Priess, de Ribeirão Preto/SP, e Rafael da Silveira, de Blumenau/SC, conta com trabalhos dos colaboradores Henry Jaepelt (Timbó/SC), Paulo Cunha Jr. (Blumenau/SC), Sílvia Pires (Blumenau/SC), André Torres (Recife/PE) e Guido Neto (Blumenau/SC). Traz uma HQ pirateada do argentino Quino, além de outras 11 histórias em quadrinhos de autoria dos editores ou dos colaboradores. Tem também um conto sobre monstros e uma entrevista com o chargista Spacca.

Nossa capa, por Vinil

O {ofizine} abre uma série especial de capas mensais. Em abril de 2017, o convidado é o arquiteto, urbanista e quadrinista Vinícius Falcão, o Vinil, nascido em Ituverava/SP em 1985 e que vive em Ribeirão Preto, também no interior paulista.

Vinil já fez vários fanzines. “Muitos não chegaram a ser lidos por mais ninguém além de eu mesmo ou, no máximo, meu irmão”, diverte-se. Já na faculdade, fez um zine chamado “O Viniloscopio”. Depois veio o “Balão Branco”, feito em parceria com o cartunista Denis, o “Totem”, produzido em estêncil e participações nos zines “Feira” e “Travessão”. Atualmente, trabalha com o irmão, Gustavo Falcão, na elaboração de dois zines, um com HQs de temáticas sobre o cotidiano e outro de ficção-científica, além de uma revista com uma história própria, explorando outros formatos. “Vamos lançar todos no Junta Geek, em setembro”, avisa.

E a capa para o {ofizine}, como rolou? “Na imagem, procurei trabalhar uma ideia de diversão, de curtir o processo de trabalho. Ao mesmo tempo, queria tirar um pouco essa ideia de que um fanzine tem que ser feito obrigatoriamente todo ‘no braço’. Pra mim, o legal do fanzine é o uso criativo que a gente pode dar para cada ferramenta, podendo experimentar livremente sem se preocupar. Por isso, acabei misturando fotos que tirei de uns blocos de Lego bem antigos que tinha aqui em casa, com um desenho e edição feitos no computador. Aqui vai meu agradecimento especial à Amanda, que me ajudou com as fotos”, explica.

Para conhecer mais sobre o trabalho do Vinil, acesse as páginas do Viniloscopio e da RPHQ no Facebook.